H&M inaugura neste sábado primeira loja no Rio e prevê expansão rápida no Brasil
Planos deste ano para o Brasil incluem a abertura de mais uma unidade no Rio, duas em Porto Alegre e uma em Sorocaba (SP)
A H&M, rede sueca de vestuário, abre sua primeira loja no Rio de Janeiro, neste sábado (25), pouco mais de oito meses depois de aportar em São Paulo, onde já possui cinco unidades. Os planos deste ano para o Brasil incluem a abertura de mais uma unidade no Rio, duas em Porto Alegre e uma em Sorocaba (SP).
“Estamos olhando para o Brasil há muito tempo, dado o tamanho do mercado. É uma população muito grande que também está muito interessada na moda”, afirma Daniel Ervér, CEO global da H&M, que está no Rio para a abertura da loja no shopping Rio Sul, zona sul da cidade.
O executivo acrescenta que o país é um mercado “interessante” para a empresa, com uma cultura e uma identidade próprias e um público conhecido pela proximidade com as tendências da moda. “Mas também é um mercado complexo de muitas formas, então você precisa fazer isso da forma certa”, diz.
Expansão na América do Sul
Além do Brasil, a empresa tem, na América do Sul, unidades no Chile, onde está desde 2012, Uruguai e Peru e já tem inaugurações programadas para o Paraguai e a Argentina. A entrada no Brasil foi a primeira em que a H&M, fundada na Suécia em 1947, iniciou as operações físicas nas lojas juntamente com o comércio eletrônico. Segundo Ervér, a empresa colhe os frutos desse movimento, embora ainda de maneira muito regionalizada.
“O e-commerce [no Brasil] está indo bem. Estamos felizes com a recepção. Mas vemos que ainda temos o maior impacto na região de São Paulo. Estamos curiosos para ver, quando abrimos Rio, Porto Alegre, o que vai acontecer”, pondera Ervér, lembrando que a existência das lojas físicas acaba por atrair um maior número de clientes online.
Joaquim Pereira, presidente da H&M no Brasil, ressalta que a empresa está em “forte expansão” no mercado latino e destaca a relevância do mercado online no país. “A parte de e-commerce é extremamente importante no Brasil. O consumidor brasileiro é um consumidor que busca sempre a conveniência. Vimos que uma coisa que a gente tinha que fazer diferente neste mercado era abrir os dois canais [físico e e-commerce] ao mesmo tempo”, afirma.
No primeiro trimestre, a H&M faturou 49,607 bilhões de coroas suecas, o que significou uma queda de 10% frente a igual período de 2025. A empresa não detalha os dados para o Brasil, mas, nos três primeiros meses do ano, o faturamento conjunto das operações na América do Norte e na América do Sul foi de 11,172 bilhões de coroas suecas, 15% a menos que no primeiro trimestre de 2025.
Escala de trabalho 5 x 2
Pereira também frisa a importância, para a empresa, da retenção de talentos. Para isso, diz, adota desde o início das operações no país a escala 5 por 2, segundo ele “extremamente bem recebida”. “É um dos benefícios que as pessoas gostam mais, não é o dinheiro, é o benefício de poder descansar dois dias por semana”, diz.
“Custa-nos mais, mas sabemos que temos um retorno de pessoas que ficam mais tempo com a gente, pessoas que querem crescer com a gente, comprometidas, mais motivadas. Por isso, temos uma rotação extremamente baixa”, acrescenta, revelando que a marca deve fechar o ano com cerca de 1.400 funcionários no Brasil.
Ervér ressalta que a empresa traz para suas operações no Brasil os mesmos valores aplicados em todas as suas unidades e cita o investimento nas pessoas, o espírito empreendedor e a consciência de custos como alguns desses tópicos.
“Acreditar nas pessoas e na capacidade das pessoas é algo realmente essencial. Eu comecei há 20 anos [na empresa] como estagiário. A companhia acreditou em mim e eu consegui crescer”, revela Ervér, natural de Gotemburgo.
Pereira conta que a operação no Brasil tem algumas diferenças físicas nas lojas, que têm mais caixas, espelhos e provadores que em outros países. O presidente da companhia no Brasil chama a atenção ainda para os desafios de compor a oferta de produtos de vestuário com diferenças de clima como as existentes entre Porto Alegre, São Paulo e Rio de Janeiro.
“Para o ano que vem, quando a gente tiver o conhecimento, não só da zona climática, mas também das preferências do consumidor, a gente consegue adaptar a oferta muito melhor. A gente tem de ser humilde, temos de aprender”, afirma.
Por: Rafael Rosas

