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O setor financeiro vai às compras no varejo


Momentum nº 1.036


“Temos vivenciado uma transformação estrutural relevante no varejo brasileiro pelo crescimento do número de empresas do setor que passaram a ser controladas ou com participação relevante de fundos ou empresas do setor financeiro, com tudo o que precipita de mudanças na gestão, organização, cultura, aceleração do crescimento e consolidação.”

Apesar de desafios estruturais que marcaram o varejo nos períodos recentes, é crescente o interesse que o setor desperta em fundos e outras empresas do setor financeiro, trazendo investimentos diretos com compra de controle, investimentos diretos para expansão e participação em IPOs.


É quase natural que num país com a população que tem o Brasil e uma participação no crédito às famílias de apenas 36% do PIB, o setor de consumo e varejo despertem o interesse crescente de empresas do segmento financeiro.


Essa descoberta do potencial do setor ocorreu de forma mais forte no período 2003-2013, quando bancos foram às compras das financeiras do varejo e ajudaram a impulsionar o consumo através do crédito às famílias.


Com algumas exceções, pagaram um preço caro medido pelo crescimento da inadimplência naquele período. Mas se aproximaram ainda mais do setor, descobriram o potencial de negócios e ajustaram o foco nas possibilidades.


IPOs mostram crescimento do interesse


A evolução dos IPOs envolvendo empresas do varejo reflete o interesse recente demonstrado e esse processo com maior participação do setor financeiro.


Da Americanas em 1940, depois Guararapes-Riachuelo em 1970, o processo se acelerou no período de forte crescimento a reboque da expansão do setor entre 2003 e 2013.


IPOs da Renner em 2005, Magalu e Arezzo em 2011 e Via 2013 marcaram esse período. Depois, no período 2016 a 2019, o setor também viveu forte crescimento e os IPOs se multiplicaram. Carrefour em 2017; C&A, Vivara e Centauro em 2019; Petz e Soma em 2020. A pandemia e suas consequências travaram a tendência. No varejo e outros setores.


Mas o avanço se deu também com investimentos diretos de fundos, alguns antecipando movimentos futuros de IPOs e estiveram e estão muitos ativos em diferentes empresas do setor, como Ri Happy, Tok&Stok, Magalu, Dudalina, Big, Carrefour, Walmart, Cobasi e Petz. Vários deles, como Advent, Pátria, Warburg Pincus, Península, Carlyle e HS, atuam muito próximos do setor.


Esses fundos podem ser globais, locais, ligados a outras instituições financeiras, Family Offices, formados por investidores individuais ou outras diferentes opções.


Essa participação direta em alguns negócios de varejo se torna mais ampla, pois passam a atuar também nas cadeias de valor que envolvem o varejo nas áreas de logística, real estate, shopping centers, meios de pagamentos, crédito, treinamento e muito mais.


E com movimentos estratégicos marcantes como o avanço do Pátria consolidando redes regionais do setor de alimentação, como anunciado com a aquisição da rede baiana Atakarejo na semana passada, sua quinta aquisição nessa escalada. Ou a venda da C&C do setor de material de construção para a Arcos, que já havia feito movimentos similares com Leader e Casa & Video.


Como resultado, o setor acelera uma transformação estrutural decisiva para além daquela precipitada pelos elementos de mercado e que envolve mudanças culturais, de modelo de gestão, práticas, governança, ESG, desenvolvimento organizacional e tecnologia, e gera novas demandas em termos dos profissionais e perfis para serem incorporados nos negócios.


O varejo que está emergindo é significativa e estruturalmente diferente.


Existem menos empresários atuantes comandando os negócios e na defesa do setor e mais executivos de carreira, muitos egressos do próprio setor financeiro, à frente das empresas e entidades que representam o setor.


O lado altamente positivo é a aceleração ainda maior do profissionalismo, da maturidade empresarial, da adoção das melhores práticas, da maior conexão com o mercado global, da consciência com a temática sustentabilidade de forma mais abrangente e de relações mais estratégicas entre indústria, varejo e serviços financeiros.


É uma realidade positivamente diferente e estar conectado a esse ciclo estrutural de transformação, antecipando e incorporando o que seja necessário, se torna uma das prioridades estratégicas maiores de quem atua no setor.

Se a empresa não tem um parceiro financeiro estratégico para chamar de seu, em breve terá.


Vale refletir.


Por: Marcos Gouvêa de Souza


Marcos Gouvêa de Souza é fundador e diretor-geral da Gouvêa Ecosystem e publisher da plataforma Mercado&Consumo.

*Este texto reproduz a opinião do autor e não reflete necessariamente o posicionamento da Mercado&Consumo.

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