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Porto Alegre tem expansão de lojas de materiais de construção e ferragem em seis anos

  • Jornal do Comércio
  • 25 de jan.
  • 3 min de leitura

O varejo de materiais de construção, mesmo com volume de vendas em queda no Rio Grande do Sul desde junho (dados do IBGE), mostrou vigor com novos negócios no período pós-pandemia, que acelerou a demanda por itens para casa e reformas.


Em levantamento exclusivo para a coluna Minuto Varejo, o Centro de Monitoramento Econômico do Varejo de Porto Alegre, ligado ao SindilojasPOA, aponta alta de 119% no número de novos estabelecimentos entre 2019 e 2025, sem considerar os Microempreendedores Individuais (MEIs).


Eram 525 CNPJs em 2019 e, no ano passado, a base saltou para 1.150 ou mais 625 operações. Ferragens e venda de materiais de construção lideram, somando 1.110, 96% do segmento no ano passado, com mais de 400 novos registros. Com MEIs, o quadro geral do setor era de 2,6 mil estabelecimentos em 2025, alta de 51% ante 2019. Foram 884 novos CNPJs.


O economista-chefe do SindilojasPOA e responsável pelo centro, Rodrigo Assis, destaca que os MEIs, mesmo sendo maioria, perderam espaço no total (70% da base de 2019 para 56% em 2025). Assis também observa que empresas de pequeno porte e médio/grande porte ganham mais espaços e se consolidam, o que pode ter relação com estrutura operacional e capacidade de suportar escala (estoque e crédito).


O setor pode ter desembarque de novos players, como a Obramax, dos donos da Leroy Merlin, que a coluna informou, com base em fontes do segmento. A Obramax não confirma, mas já anunciou vaga para gerente na Capital.


A Tumelero trocou de dono. Nos anos recentes, a TaQi, do grupo Herval, fechou pontos e hoje mantém apenas uma no mercado porto-alegrense, situada na Zona Norte -, o que também se verificou entre pequenos players e mais antigos, como a Ferragem Igor, que saiu de cena em 2024 na avenida Protásio Alves, em frente ao Hospital de Clínicas. No endereço, a Porão, marca familiar com ponto no Centro e Zona Norte, sucedeu a Igor em 2025.


Em lojas de bairro, o foco é se aproximar de consumidores. "Temos que atingir quem mora no bairro", avisa Pedro Vivian, da Caçula Centermat, na Zona Leste da Capital. Vivian esteve na NRF em Nova York em busca de inovações. De lá, o jovem voltou com uma certeza: "Temos de valorizar a empresa familiar e cuidar bem dos nossos clientes. Temos a velocidade que muitas vezes os grandes não têm pelo contato mais direto e rápido com o dono", elenca.


Assis pondera apenas que o estoque de operações mais antigas na base dos dados pode ainda ter estabelecimentos 'legalmente abertos' pelo registro na Receita Federal, mas que, na prática, os donos já podem ter encerrado o varejo.


"Isso se explica porque é mais fácil abrir do que encerrar uma empresa no Brasil. Mesmo que o negócio apareça como ativo, ele pode não estar mais com as portas abertas", explica o economista.


Principais números sobre lojas de materiais de construção:


Estabelecimentos:

  • Com MEI: 1.742 (2019) e 2.626 (2025), mais 884 CNPJs (alta de 51%).

  • Sem MEI: 525 (2019) e 1.150 (2025), mais 525 CNPJs (alta de 119%)


Tipo de comércio que domina: ferragens, madeira e materiais de construção.

  • Com MEI: 1.133 (2019) para 2.011 (2025), mais 778 negócios, 76% do setor.

  • Sem MEI: 403 (2019) para 1.110 (2025), mais 707 empresas, 96% do segmento.


Por porte:

  • Com MEI: 2.017 microempresas (76,8%), 410 empresas de pequeno porte (15,6%) e 199 empresas de médio/grande (7,6%).

  • Sem MEI: 1.492 microempresas (64,8%), 410 empresas de pequeno porte (17,8%) e 199 empresas de médio/grande porte (17,3%).


Destaques:

  • Com MEIs: Microempreendedores Individuais representavam 70% do número em 2019 e caíram a 56%, em 2025. Empresas formais (não-MEIs) têm expansão proporcionalmente mais intensa.

  • Sem MEIs: microempresas têm peso menor frente a 2019. Pequeno porte e médio/grande porte respondem por mais de 35% dos CNPJs.


Por: Patrícia Comunello

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