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Varejo físico registra alta de 4,1% no fluxo em abril, mas faturamento segue pressionado

  • Central do Varejo
  • 14 de mai.
  • 2 min de leitura

Lojas de rua crescem 5,4% e Sul lidera recuperação regional com 9,6%; endividamento de 80,9% das famílias limita retomada do consumo


O varejo físico brasileiro registrou alta de 4,1% na intenção de compra em abril na comparação anual, mas o faturamento do setor segue pressionado, segundo o Índice de Intenção de Compra do Varejo (IICV SEED), estudo divulgado mensalmente pela Seed Digital com base em dados de mais de 58 milhões de visitantes mensais monitorados em milhares de lojas em todo o Brasil. O movimento indica que mais consumidores circularam pelo comércio, mas sem conversão proporcional em vendas.


O estudo aponta que a retração de 3,0% registrada pelo Índice Cielo do Varejo Ampliado (ICVA) evidencia uma mudança no padrão de consumo, com priorização de produtos mais acessíveis, substituição de itens e compras de menor valor agregado, em um contexto de inflação persistente e alto endividamento das famílias.


“Os dados mostram que o consumidor continua frequentando as lojas físicas, mas está muito mais racional na decisão de compra. O desafio do varejo agora não é apenas gerar fluxo, mas aumentar a eficiência de conversão e preservar margens em um ambiente de consumo mais cauteloso”, destaca Sidnei Raulino, CEO e fundador da Seed Digital.


Canais


Entre os formatos analisados, as lojas de rua apresentaram o desempenho mais consistente no varejo físico, com crescimento de 5,4% em abril, representando uma recuperação relevante após um primeiro trimestre marcado por forte retração. Os shopping centers, por sua vez, registraram queda de 2,3%, com dificuldades para consolidar uma retomada sustentada no fluxo.


Regiões


A região Sul liderou o crescimento em abril, com alta de 9,6%, mantendo ritmo positivo mesmo diante de impactos climáticos e econômicos. O Sudeste também registrou recuperação, com avanço de 4,2%. Centro-Oeste (+1,3%) e Norte (+3,1%) igualmente cresceram, enquanto o Nordeste foi a única região com leve retração, de 0,5%.


Perspectiva para maio


A projeção para maio indica ambiente de consumo ainda desafiador. Apesar de indicadores positivos no mercado de trabalho (desemprego em 6,1% e rendimento médio de R$ 3.722), o endividamento das famílias atingiu 80,9% em abril, limitando o potencial de retomada. A inflação concentrada em alimentação e transporte, somada a juros elevados e incerteza econômica, reforça o comportamento defensivo do consumidor.


“O brasileiro quer consumir, mas sente receio. O varejo precisará equilibrar estratégia comercial, inteligência operacional e acompanhamento constante dos indicadores econômicos para transformar fluxo em resultado real nos próximos meses”, conclui Raulino.

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