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A fórmula da Chiquinho para se tornar a maior sorveteria doBrasil (só com chocolate e baunilha)


Uma pequena sorveteria do interior de Minas Gerais – daquelas bem tradicionais com uma infinidade de sabores e coberturas – se tornou a maior rede do segmento no País.


A Chiquinho Sorvetes surgiu em 1980 quando Francisco Olímpio, o Chiquinho, decidiu criar uma sorveteria com seu filho mais novo, Isaias Bernardes. O filho quis homenagear o pai e batizou a sorveteria com seu nome.


A loja de 16 metros quadrados fez sucesso no verão tórrido da pequena Frutal, quando as temperaturas já ultrapassavam os 40ºC mesmo antes da mudança climática se acentuar nas últimas décadas.


Em 1986, a Chiquinho se lançou além das montanhas de Minas e levou seus cones e copinhos para cidades do interior de São Paulo próximas à sua sede no Triângulo Mineiro, como Guaíra, Barretos e Araraquara.


De lá para cá, a Chiquinho nunca parou de crescer, especialmente no interior, e hoje a empresa é diminutiva só no nome.


O grupo (que também inclui uma agência de publicidade e uma empresa de logística) faturou R$ 935 milhões no ano passado – e tem como meta fazer R$ 1,2 bilhão este ano. O plano é seguir crescendo de 20% a 30% ao ano.


“Somos um negócio lucrativo e sempre reinvestimos 80% do nosso lucro do negócio,” Isaias disse ao Brazil Journal. “É um crescimento muito sustentável.”


Hoje a empresa tem 810 franquias em todos os estados – menos Sergipe – e deve bater 900 até dezembro, o que a coloca como a segunda sorveteria em número de lojas do País, atrás apenas da Oggi, que foi fundada em 2006 e possui 1.020 pontos de venda.


Mas a Chiquinho fatura mais que a concorrente, que no ano passado declarou ter vendas de R$ 850 milhões.


A Chiquinho já é também a 23ª maior franqueadora do Brasil, à frente de nomes como a Kopenhagen, a Brasil Cacau, e marcas da moda como Hering e Havaianas.


Essa expansão ocorreu de maneira mais acelerada a partir de 1998 por uma decisão tomada por Isaias: em vez dos sorvetes de massa, a Chiquinho passou a trabalhar com o sorvete ‘soft’ de baunilha e chocolate — igual ao servido em redes de fast food como McDonald’s e Burger King.


Foi uma decisão que ajudou a empresa a diminuir a complexidade do negócio.


Se antes era necessário produzir dezenas de sabores de maneira individual, agora bastava ao franqueado misturar a base de baunilha ou chocolate com algum outro produto (pistache ou uma fruta, por exemplo) para criar novos sabores de maneira instantânea.


Além disso, a empresa também expandiu seus SKUs lançando produtos como milk shakes e petits gâteaux. Os preços vão de R$ 5 até R$ 25.


Para completar, a decisão ajudou a Chiquinho a baratear a logística dos produtos até as franquias. (Amistura para o sorvete vai por meio de caixas – como as de leite – e os franqueados precisam apenas da máquina para produzir o sorvete.)


Isaias também acredita em verticalização.


A Chiquinho Sorvetes tem sua própria agência de publicidade (Lis Bitencourt), um escritório de arquitetura (Oca Urbana), uma companhia de logística com 35 caminhões (OLP) e uma empresa de tecnologia (Apte) – todas 100% voltadas para a operação da companhia.


Todos esses serviços somados representaram uma receita de R$ 160 milhões para a franqueadora.


Praticamente tudo é feito dentro de casa – com exceção do próprio sorvete. A mistura entregue aos franqueados é feita em fábricas terceirizadas, a maior delas localizada em Goiás.


“Verticalizar essa parte representaria um investimento massivo de capital e já temos bons parceiros que nos agregam,” disse Isaias. “Mas para o futuro pode fazer sentido.”


O maior investimento da empresa hoje é na criação de uma “Cidade Chiquinho” em São José do Rio Preto, no interior de São Paulo, onde já funciona a sede da companhia.


Isaias está construindo um complexo administrativo de 250 mil m² para agregar todos os negócios da empresa em um mesmo lugar, além de um centro logístico de 15 mil m².


Aos 63 anos, 45 deles dedicados à empresa, Isaias não pensa em se aposentar – e nem em vender a empresa.


Segundo ele, vários fundos de private equity já bateram à sua porta, mas ele não quis nem ouvir. Dono de 51% da empresa (os outros 49% estão pulverizados na família), ele toma todas as decisões da companhia.


“Estamos em uma fase muito boa de crescimento e estruturação. Quem sabe até para uma abertura de capital lá na frente,” disse. “Mas agora não estou precisando de patrão.”


Por: André Jankavski

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