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A revolução do varejo de conveniência e serviços em cidades do interior

Há poucos anos as estratégias de expansão das redes varejistas no Brasil contemplavam apenas as cidades com mais de 100mil habitantes. O Brasil tem, atualmente, 5.570 municípios, segundo o Censo do IBGE divulgado em junho deste ano, 57% da população brasileira concentra-se em 319 cidades com mais de 100mil habitantes. Consequentemente, os outros 43% da população estão distribuídos em mais de cinco mil municípios.


Isso explica por que as redes varejistas desconsideravam municípios com menos de 100mil habitantes nos seus planos de expansão. Como se pode ver no gráfico abaixo, 5,73% dos municípios concentram mais de 50% da população.



Por outro lado, num cenário de acirramento da concorrência e consolidação de players varejistas em nível nacional, não se pode negligenciar um mercado de 87 milhões de consumidores. Antes mesmo da pandemia, algumas redes varejistas já haviam baixado a régua para incluir em seus planos de expansão cidades entre 50 e 100mil habitantes.


Varejo essencial e proximidade, como se sabe, foram a tábua de salvação do setor varejista no período de pandemia. E isso fez com que a régua baixasse um pouco mais.

Neste período, o varejo farmacêutico e alimentar começou a olhar para cidades com menos de 50mil habitantes, ampliando o mercado-alvo para uma fatia de mais de 15% da população brasileira e incluindo quase mil municípios nos seus radares de geomarketing.


Se por um lado, muitas dessas cidades menores desempenham papéis estratégicos na produção agrícola, agroindustrial e na diversificação econômica, por outro lado os desafios enfrentados pelas redes varejistas são proporcionais a extensão geográfica de um país de dimensões continentais como o Brasil.


As cidades menores muitas vezes enfrentam limitações em infraestrutura e logística, o que torna o varejo de conveniência e serviços local de vital importância.


O varejo de proximidade não apenas fornece produtos essenciais às comunidades locais, mas também desempenha um papel social, servindo como ponto de encontro e apoio à vida cotidiana.

O varejo de conveniência nas cidades do interior enfrenta desafios únicos. A falta de densidade populacional pode resultar em mercados menores e uma base de clientes menos numerosa em comparação com centros urbanos maiores. Além disso, a concorrência com pequenos varejistas locais pode ser acirrada, pois esses negócios muitas vezes têm laços estreitos com a comunidade.


No entanto, esses desafios são acompanhados por oportunidades igualmente marcantes. A mudança nos padrões de consumo, impulsionada pela busca por conveniência e qualidade de vida, está criando espaço para a modernização do varejo nas cidades do interior. O acesso à infraestrutura de tecnologia e a crescente urbanização dessas áreas também estão moldando a forma como as pessoas compram e consomem serviços.


Nos últimos anos, temos observado uma tendência crescente de urbanização nas cidades do interior do Brasil. À medida que as cidades do interior se urbanizam, os habitantes locais passam a buscar comodidades semelhantes às encontradas em áreas urbanas maiores.

Isso inclui uma maior demanda por opções de compras convenientes, como farmácias, supermercados, lojas de conveniência, petshops, academias, serviços de saúde e estética.


O impulso econômico do agronegócio transformou os padrões de consumo de muitas cidades do interior do Brasil. Mesmo distantes dos grandes centros, os consumidores destas localidades anseiam por conveniência e serviços que melhorem sua autoestima e qualidade de vida. A entrada das grandes redes varejistas nos rincões do Brasil começa a preencher este vazio.


Além disso, as redes varejistas sabem da importância da capilaridade das lojas físicas como peça-chave do last mile de entrega das compras realizadas digitalmente. As lojas físicas em cidades do interior servem como pontos de distribuição estratégicos. Ao usar os PDVs como centros de distribuição, as redes varejistas podem reduzir custos e oferecer entregas mais rápidas e confiáveis aos clientes. Isso é particularmente importante em áreas longínquas onde a logística de entrega pode ser desafiadora.


Além das entregas em domicílio, as lojas físicas também podem ser usadas para oferecer opções de retirada na loja, também conhecidas como "clique e retire". Isso permite que um consumidor que reside em área rural, por exemplo, compre online e retire seus produtos em uma loja na área urbana do seu município. Além da flexibilidade e conveniência, essa opção também incentiva os clientes a visitar fisicamente as lojas, o que pode resultar em compras adicionais e uma interação mais profunda com a marca. Integrar a presença física com as operações online é premissa básica do varejo omnichannel.


No Brasil, redes varejistas de diferentes segmentos, como Droga Raia, Panvel, Lojas Renner e Stock Center, por exemplo, estão expandido com sucesso para cidades do interior com menos de 100mil habitantes. Adaptar-se às necessidades e preferências locais, no entanto, são fatores críticos para o sucesso de longo prazo dessas operações de varejo nas cidades do interior do Brasil.


O que se pode afirmar, por enquanto, é que o interior do Brasil se tornou um celeiro de oportunidades para o varejo de conveniência e serviços. E a entrada das grandes redes varejistas nessas cidades contribui para o seu desenvolvimento econômico e a melhora da qualidade de vida da população do interior.

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