Farmácia Zé do Bairro entra na Febrafar e pretende dobrar de tamanho em dois anos
- Guia da Farmácia
- há 1 dia
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Em um mercado marcado pela disputa por preço e pela crescente consolidação das grandes redes, a Farmácia Zé do Bairro dá um passo estratégico ao se associar à Federação Brasileira das Redes Associativistas e Independentes de Farmácias (Febrafar). O movimento sinaliza uma virada na trajetória da rede, que busca agora estruturar sua gestão e ganhar escala com mais inteligência.
Com forte presença regional e um modelo baseado em proximidade com o consumidor, a rede entra em um novo ciclo, mirando crescimento acelerado com mais consistência operacional.
A associação à Febrafar surge como resposta a uma necessidade clara de evolução estrutural. “Apesar do forte crescimento orgânico e do conhecimento de mercado, havia uma lacuna importante em gestão estruturada, tecnologia e inteligência de negócios”, disse, em entrevista exclusiva ao Guia da Farmácia, o CEO do Grupo Pimentel, Jailson dos Santos Pimentel.
A expectativa é que a parceria funcione como um divisor de águas na profissionalização.
“A Febrafar surge como um ecossistema capaz de oferecer ferramentas de gestão e BI, padronização de processos, acesso à tecnologia e inovação, melhoria no poder de negociação com a indústria e direcionamento estratégico para o futuro do varejo farmacêutico”, conta o executivo.
Além do ganho operacional, o movimento também reforça o posicionamento competitivo da rede dentro do associativismo.
Trajetória que começa no Nordeste
A rede nasceu a partir de uma oportunidade identificada ainda em 2010, quando o mercado farmacêutico do Nordeste começava a passar por uma transformação relevante.
Com experiência prévia na distribuição, Pimentel identificou o avanço das grandes redes e o crescimento do modelo de farmácias populares. “Com forte experiência prévia na distribuição de medicamentos e atuação em diversos estados do Nordeste, identifiquei esse movimento com antecedência e decidi empreender no varejo”, lembra.
A criação da marca atual foi um marco importante. “A virada estratégica veio com a criação de um mascote próprio, o ‘Zé do Bairro’, que trouxe identidade, humanização e reconhecimento à rede.”
Hoje, a operação combina diferentes formatos: lojas bandeiradas; lojas conectadas; e integração com a Rede Bem.
Ao todo, o ecossistema reúne cerca de 285 lojas vinculadas e as metas de crescimento são agressivas. Pretende-se dobrar de tamanho nos próximos 24 meses; ultrapassar 200 lojas conectadas; e expandir significativamente as unidades bandeiradas, inclusive em outros estados. “No cenário mais amplo, o grupo pode ultrapassar 600 lojas no ecossistema combinado, consolidando-se como um player relevante dentro do associativismo farmacêutico nacional”, projeta o executivo.
Tecnologia e serviços
A transformação digital já faz parte da operação, mas ainda em evolução. “A rede já utiliza ferramentas de CRM e soluções digitais voltadas à gestão e relacionamento com o cliente.”
Entre as iniciativas atuais estão: plataformas de CRM para cadastro e ativação; uso de aplicativos, WhatsApp e redes sociais; e sistemas de gestão oriundos de experiências anteriores. Com a entrada na Febrafar, o objetivo é dar um salto de maturidade. “A expectativa é centralizar as soluções tecnológicas, integrar dados em uma única plataforma, ganhar escala e eficiência na gestão digital e avançar na estratégia omnichannel”, projeta Pimentel.
A rede construiu sua base com foco em proximidade e comunicação popular. “Atualmente, a rede ainda não possui um programa estruturado de fidelização. Por outro lado, investe fortemente em atendimento próximo e humanizado, presença ativa na comunidade, ações sociais e comunicação acessível”, diz. “Com o apoio da Febrafar, a tendência é evoluir para um modelo mais estruturado, baseados em dados e comportamento de consumo”, complementa.
Em relação aos serviços farmacêuticos, eles fazem parte do DNA da operação desde o início. Entre as principais iniciativas estão aplicação de injetáveis; aferição de pressão arterial; testes de glicemia; perfuração de orelha; e orientação farmacêutica. “Os franqueados são orientados a utilizar esses serviços como diferencial competitivo e fonte de geração de valor”, disse Pimentel.

