Petcamp mira lojas de Petz e Cobasi para entrar em São Paulo
- Pipeline Valor
- 18 de mar.
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Desinvestimento das rivais é uma das alternativas para chegar à capital; outras aquisições estão no radar
Segunda maior rede de lojas de artigos para pets no país, com mais de 110 unidades, a Petcamp se prepara para entrar na capital paulista - o mercado mais disputado do país, onde vai encarar União Pet (Petz e Cobasi), Petlove, Mercado Livre, Amazon e pequenas lojas de bairro.
“Chegar à capital sempre foi uma questão de tempo”, diz Victor Leite, CEO da companhia fundada pelo pai em Campinas. A operação teve início em 1985 para vender ração e acessórios para cães e gatos, e hoje está em 55 cidades. O número de pontos de venda mais que quintuplicou nos últimos cinco anos.
A expansão recente teve o impulso dos R$ 100 milhões de um fundo da BR Partners, em 2021, com meta de chegar a 200 lojas em 2029. Leite já vê o alvo como alcançável em 2027, com 130 cidades novas no radar. No alvo paulistano, estão 26 lojas que a União Pet deverá vender para atender às exigências feitas pelo Cade para aprovar a fusão, pontos hoje tanto com marca Petz quanto Cobasi.
“Estamos analisando M&As em outros estados e também na capital paulista, além dos ativos de Petz e Cobasi”, diz Leite, que espera fechar ao menos uma das transações neste ano. “No momento, tenho mais oportunidades no interior, onde consigo expandir mais rápido gastando menos. Mas é mais fácil a Petcamp chegar a São Paulo do que uma grande rede chegar a uma cidade pequena”, emenda, citando a experiência com o perfil e demanda do consumidor.
Cinco lojas recentes vieram da rede Tudo de Bicho, de São José dos Campos, adquirida em 2025, quando também abriu a primeira loja fora do estado, em Uberaba. Leite espera manter as filiais enxutas e eficientes, em contraste com as megalojas. Com seis mil SKUs, ele quer seguir priorizando a venda de pequenos itens, como ração e acessórios. “Ninguém vai sair carregando um pacote de 15 kg de ração das lojas.”
No modelo da Petcamp, o principal canal de vendas são as lojas físicas, com o e commerce representando menos de 15% da receita. Além disso, 95% das vendas digitais ocorrem em cidades onde a companhia possui ao menos uma loja física, que são usadas como centros de distribuição. Trata-se de uma tendência diferente das capitais do Brasil, onde gigantes como Mercado Livre e Amazon vêm diminuindo a fatia em um setor estimado em R$ 50 bilhões, segundo a Abempet.
Segundo Leite, a Petcamp cresceu mais de 30% ao ano na última década, ritmo que pretende manter, com 80% das lojas atingindo o breakeven em três meses, sem dívidas e gerando caixa, disciplina herdada do seu Ciro, que abandonou um negócio de bar no centro da cidade para criar a loja Só Ração junto com a esposa, Sônia, mãe de Victor.
Na época, o negócio vendia apenas produtos básicos para bichanos e caninos – que ainda não eram chamados de pets por aqui. A marca atual surgiu em 1997 como braço de importação e distribuição de acessórios e, em 2005, com Victor assumindo o comando junto dos irmãos Bruno e Luana, as redes foram unificadas. “Temos um crescimento consistente e racional”, diz o CEO.
Por: Guilherme Guerra

