Sterna Café acelera expansão e mira 130 lojas até o fim de 2026
- Exame
- 13 de jan.
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Após profissionalização da gestão e entrada de fundo investidor, rede de cafeterias aposta em expansão com foco na eficiência operacional e fortalecimento dos franqueados
O café segue como um dos mercados mais resilientes do Brasil. Segundo a Associação Brasileira da Indústria de Café (ABIC), 95% dos brasileiros consomem a bebida. Dados reunidos pelo Sebrae, com base na Organização Internacional do Café (OIC) e na Euromonitor, mostram que o país é o segundo maior consumidor mundial, com 21 milhões de sacas por ano.
Dentro desse universo, o consumo de cafés premium cresce 15% ao ano, enquanto o café tradicional avança 3,5%.
Esse movimento muda o jogo para as cafeterias. A concorrência aumenta, os custos sobem e o consumidor passa a exigir padrão e consistência. Crescer deixou de ser apenas abrir lojas. Passou a exigir operação eficiente.
É nesse cenário que a Sterna Café inicia 2026 celebrando 10 anos de atuação e acelerando a expansão da rede. Presente em 10 estados, a marca fechou 2025 com 90 unidades em operação, após inaugurar 29 lojas no ano, e projeta chegar a 130 unidades até o fim de2026, apoiada em diferentes formatos de negócio.
Agora a Sterna entra em um novo ciclo. Após a entrada de um fundo de investimento e um processo de profissionalização da gestão, a empresa busca sustentar crescimento acima da média em um setor pressionado por custos, concorrência e falta de mão de obra qualificada.
“O principal gargalo hoje está, sem dúvida, nas pessoas. Ter equipes capacitadas e engajadas é fundamental para sustentar esse ritmo sem perder padrão operacional”, afirma Silvana Buzzi, CEO da Sterna Café.
O plano para os próximos anos combina expansão acelerada com disciplina operacional.
Da jornada empreendedora à cadeira de CEO
A trajetória de Silvana Buzzi ajuda a explicar o momento da Sterna. A executiva iniciou cedo na liderança e construiu a carreira com foco em pessoas e inovação. Antes de assumira empresa, atuou como diretora executiva da Associação Brasileira de Franchising (ABF), onde teve contato direto com mais de 3 mil marcas, cerca de metade delas do setor de alimentação.
“Essa experiência ampliou minha visão estratégica sobre o franchising, especialmente sobre os desafios, oportunidades e modelos de crescimento do food service no Brasil”, diz.
O encontro com a Sterna ocorreu após o investimento da Gran Capital. A rede, fundada por Deiverson Migliatti e Fernanda Pizzorno, já tinha uma marca consolidada no segmento de cafés especiais, mas precisava estruturar processos para sustentar a expansão.
Profissionalização como ponto de virada
Assumir a operação exigiu mudanças estruturais. A empresa precisava criar governança,padronizar processos e fortalecer a relação com os franqueados.
“Um dos principais desafios foi conduzir um processo consistente de profissionalização da gestão”, afirma Buzzi. Isso envolveu fortalecer o time, definir papéis claros e criar processos capazes de sustentar o crescimento no médio e longo prazo.
Outro ponto sensível foi a relação com a rede. “Trabalhamos para reaproximar os franqueados da franqueadora, reconstruindo confiança, suporte e senso de parceria”, diz.
Os resultados começaram a aparecer. Em 2025, a Sterna voltou a conquistar o Selo de Excelência em Franchising, concedido pela ABF. Outro indicador foi o avanço dos multifranqueados: de 2 para 19 parceiros com mais de uma unidade desde a entrada da nova gestão.
“Isso demonstra não só a confiança dos investidores e franqueados no modelo de negócio, mas também a solidez da estratégia”, afirma.
Os números por trás da expansão
A aceleração ficou mais evidente em 2025. A Sterna inaugurou 29 unidades no ano , o que representou um crescimento de 52% no número de lojas em operação. No mesmo período, o sellout da rede avançou 44%, impulsionado pelo aumento do consumo de cafés especiais e pela consolidação da marca em centros urbanos e regiões de alto fluxo.
A empresa inicia 2026 com 90 lojas abertas, projeta atingir 100 unidades até o fim do primeiro trimestre e mantém a meta de chegar a 130 lojas até dezembro.
Esse crescimento traz mais complexidade operacional. Além da rede de cafeterias, a Sterna opera uma indústria própria de alimentos, responsável por produzir grande parte dos itens vendidos nas lojas.
“Isso eleva o nível de complexidade da operação e torna ainda mais estratégica a formação, o desenvolvimento e a retenção de talentos em toda a cadeia”, diz a CEO.
Lojas tradicionais seguem puxando o crescimento
A expansão da Sterna passa por lojas, quiosques e carrinhos móveis. Ainda assim, o modelo tradicional deve liderar o avanço em 2026.
“Ele é o que melhor expressa a experiência completa da marca, fortalece o relacionamento com o cliente e se adapta muito bem a ruas comerciais, bairros residenciais e cidades de médio porte”, afirma Buzzi.
Os formatos compactos seguem como alternativa para investidores que buscam operações menores. O investimento inicial parte de 220 mil reais, com prazo médio de retorno estimado entre 18 e 24 meses.
Crescer com adensamento regional
Mesmo presente em 10 estados, a Sterna evita uma expansão pulverizada. A estratégia prioriza crescer onde a marca já atua.
“Acreditamos muito no adensamento das praças, porque ele gera ganhos relevantes de eficiência operacional, logística, suporte à rede e fortalecimento da marca local”, diz a CEO.
Entre as regiões no radar estão Santa Catarina e Goiás, escolhidas por perfil de consumo, densidade urbana e maturidade de mercado alinhados ao posicionamento da rede.
Concorrência, custos e disciplina
O consumo de cafés especiais segue em expansão no Brasil, impulsionado por novos públicos e pela busca por experiências. Para a Sterna, essa mudança tende a favorecer o negócio.
“O brasileiro tem aprendido cada vez mais a apreciar cafés especiais, e as novas gerações vêm ampliando o consumo de bebidas à base de café”, afirma Buzzi.
Já a alta no preço do café segue no radar. Para 2026, a expectativa é de estabilização, ainda em patamar elevado. Para atravessar esse cenário, a empresa aposta em negociações estratégicas, gestão de estoques e ganhos de escala.
O desafio, agora, é manter crescimento com disciplina operacional — um ponto decisivo em um mercado que cresce rápido, mas não perdoa erro.
Por: Karla Dunder

