top of page
Buscar

São Paulo vai ganhar um novo parque – que terá um rio ‘ressuscitado’

  • Metro Quadrado
  • 5 de ago.
  • 4 min de leitura

Um rio escondido há quase 100 anos vai voltar à superfície de São Paulo.


O Rio Bixiga – que deu nome ao histórico bairro da cidade – será desenterrado para ser o eixo central de um parque que vai começar a ser construído após uma disputa que durou mais de 40 anos.


O terreno do parque – que fica entre as ruas Jaceguai e Abolição – pertenceu por décadas a Silvio Santos, que queria construir no lugar a sede do seu grupo, mas o empresário enfrentou a resistência de um vizinho icônico, o Teatro Oficina, do diretor Zé Celso, que temia que o seu espaço cultural fosse expulso dali.


O embate foi encerrado após a Prefeitura comprar a área e decidir construir o Parque Rio Bixiga, criado oficialmente por um decreto municipal na semana passada – e projetado por um coletivo de jovens arquitetos que venceu um concurso público, o Democratic Architects.


Um dos pedidos da Prefeitura era que o rio fosse integrado ao parque como eixo central do projeto – na primeira vez em décadas em que a cidade se propõe a desenterrar um curso d’água, que corre a dois metros de profundidade e agora poderá se expandir.


Além do rio, o parque possui bolsões de alagamento, áreas que poderão receber o excesso de água em épocas de chuva. Estruturas ocultas, chamadas de soleiras hidráulicas, também ajudam a controlar o fluxo.


“A cada vez que você passar lá, o rio vai ter uma cara, pois haverá um nível de água ligeiramente diferente,” Andre Zanolla, o diretor do escritório, disse ao Metro Quadrado.


O arquiteto espera que este projeto ajude as cidades a repensar seus córregos aterrados.


“Em São Paulo, os rios foram vistos como infraestrutura sanitarista, algo de que você queria ficar o mais distante possível. Era talvez uma postura equivocada. Queremos fazer as pazes com o rio e inspirar outros projetos,” disse Zanolla.


O novo parque vai deixar mais verde um dos cenários mais cinzentos da metrópole, já que o espaço fica bem perto da ligação Leste-Oeste, onde passam milhares de carros por hora, e ajudar a valorizar os imóveis da região, que também deve ganhar estações de metrô.


A parte interna do parque, com 11 mil metros quadrados de área, será dividida em dois setores.


Embaixo haverá um bosque urbano, em meio ao rio e aos jardins alagáveis, com passarelas e decks de madeira, contornando o espaço. A parte superior terá áreas para atividades, como quadras esportivas e pátios para apresentações culturais.


Do lado de fora, haverá minipraças, fora das grades, abertas ao público dia e noite, com a proposta de “trazer o parque para fora do parque” e criar espaços de convivência para os moradores do bairro.


A prefeitura ainda não tem uma data para a entrega do parque. O contrato com o Democratic Architects prevê que o projeto executivo seja concluído até maio de 2027.Em seguida, será feita a licitação para a obra.


“Tem licitação que dura dois, três meses, e tem licitação que dura 10 meses. Depende dos recursos das empresas, e pode atrasar,” Isabella Armentano, a diretora de implantação, projetos e obras da Secretaria do Verde e Meio Ambiente de São Paulo, disse ao Metro Quadrado.


Isabella trabalha há 14 anos na SVMA, e esta é a primeira vez que vê um parque paulistano ter seu projeto escolhido por meio de um concurso de arquitetura.


“Geralmente a gente discute a obra e a implantação. E agora a gente também discutiu o projeto na mídia. Houve um grande processo participativo para elaborar o edital do concurso,” ela disse.


A diretora ressalta que o parque não estava previsto no Plano Diretor, mas acabou sendo incorporado após uma intensa campanha da comunidade do Bixiga, e como um esforço para dar fim à batalha entre Sílvio Santos e Zé Celso.


Sílvio comprou o terreno nos anos 1980 e pretendia que a sede do seu grupo ali fosse um prédio com mais de 100 andares, ao lado do Teatro Oficina, instalado no Bixiga desde 1958 e conhecido por ter um “formato sanduíche”, em que o palco é um corredor no centro, entre duas plateias estreitas e compridas.


Com receio de que o seu teatro fosse afetado pelo prédio de Silvio, Zé Celso conseguiu o tombamento do espaço pelo Condephaat na mesma década. O órgão destacou, na época, a importância histórica do local para as pesquisas de novas linguagens teatrais.


Em seguida, o teatro passou por uma reforma, com um projeto assinado por Edison Elito e Lina Bo Bardi.


Reaberto por completo em 1994, o Oficina ganhou amplas janelas, que permitem aos espectadores ver a cidade enquanto assistem às apresentações.


Mesmo com o tombamento, Silvio não desistiu do terreno. Ao longo dos anos 1990 e2000, o apresentador propôs outros projetos, com a construção de torres comerciais e residenciais e de um shopping, também barrados. Houve também conversas diretas entre Sílvio e Zé Celso em várias ocasiões, mas nada de acordo.


A solução veio apenas em maio de 2024, dez meses após a morte de Zé Celso. O Grupo Silvio Santos aceitou vender o terreno para a Prefeitura por R$ 64,3 milhões, para que um parque fosse construído no local.


Sílvio morreu três meses depois.


Por: Rafael Balago

Posts recentes

Ver tudo
Mercado farmacêutico chega a R$ 279,7 bilhões

Levantamento da Close-Up International mostra que genéricos avançam e ganham força no mercado de MPX O mercado farmacêutico brasileiro movimentou R$ 279,7 bilhões nos 12 meses encerrados em julho de 2

 
 
Araujo Santhos_IDV_Assinatura_vertical_branco.png

+55 51 3337 2477

Av. Cristóvão Colombo, 3000 Sala 902

Porto Alegre RS  Brasil

CEP 90560-002

  • Instagram
  • LinkedIn
  • YouTube

O conteúdo deste site é de uso exclusivo de Araújo Santhos Investimentos Imobiliários. Desenvolvido por VERDI

bottom of page