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Nova revolução dos bichos: a paixão por pets e o impacto no consumo

  • Mercado e Consumo
  • há 2 dias
  • 5 min de leitura

Se, em A Revolução dos Bichos, de George Orwell (1945), os animais se rebelam contra a exploração humana, o cenário atual, na perspectiva dos pets, revela um quadro diferente: a paixão por animais de estimação fez com que eles passassem a ser vistos como verdadeiros membros da família.


De acordo com o Pet Care Market Overview, publicado pela Market Reports World, o mercado global de cuidados com pets tem apresentado forte crescimento. Esse avanço é impulsionado pelo aumento da adoção de animais, pela maior renda disponível das famílias e pela tendência de humanização dos pets.


Segundo dados da Mordor Intelligence, o mercado global de cuidados com animais de estimação alcançou US$ 380 bilhões em 2025 e deve atingir US$ 650 bilhões até 2030. Esse crescimento do consumo é impulsionado principalmente por Millennials e Geração Z, que tendem a gastar mais com cada animal de estimação.


E o Brasil?


O Brasil possui a terceira maior população pet do mundo. Enquanto a quantidade de filhos por residência vem diminuindo, o número de pets continua em crescimento, de acordo com dados do IBGE e da Pesquisa de Orçamentos Familiares.


Segundo dados da Pesquisa Quaest para Petlove (2024), 7 em cada 10 brasileiros têm pelo menos um pet em casa.


Entre 2002 e 2018, o percentual de famílias que declararam despesas com animais de estimação quase triplicou, passando de 11,72% para 30,27%. O dado demonstra a relevância e o impacto do cuidado com pets no orçamento familiar.


Como reflexo dessa tendência, o segmento mantém trajetória consistente de crescimento. Em 2024, o mercado pet brasileiro faturou R$ 75,4 bilhões, um aumento de 9,6% em relação a 2023, segundo dados da Associação Brasileira das Empresas do Setor de Animais de Estimação.


Sem briga entre cães e gatos


No cenário global, o mercado pet segue ampliando sua base, com milhões de cães e gatos e crescimento constante no número de animais.


Os cães seguem como maioria, mas os gatos vêm ganhando espaço em ritmo acelerado. Segundo a Mordor Intelligence, os cães representaram 59% do mercado pet mundial em 2024, sendo que as rações premium responderam por 30% das vendas na categoria. Já os gatos devem registrar CAGR de 7,8% até 2030. Esse avanço está relacionado ao fenômeno conhecido como “economia felina”, associado ao aumento de domicílios unipessoais no mundo, perfil que tende a favorecer a adoção de gatos.


É da família


A humanização dos pets permanece como um dos vetores de crescimento do setor. Cada vez mais, os animais de estimação são tratados como parte da família, o que se reflete em um perfil de tutor mais criterioso.


Segundo pesquisa Quaest para a Petlove, os maiores gastos dos tutores são com ração, ida ao veterinário, realização de exames e compra de remédios. Considerando as mudanças de comportamento e o aprimoramento do cuidado com os pets, cabe considerar algumas oportunidades, como:


  • Enriquecimento ambiental: produtos que promovem enriquecimento ambiental, como tapetes olfativos, brinquedos inteligentes e circuitos de atividades;

  • Saúde, bem-estar e higiene: produtos e serviços relacionados aos cuidados com higiene, bem-estar, estética, saúde e controle da ansiedade;

  • Envelhecimento: a população de pets, assim como a humana, tem vivido mais. De acordo com o relatório da Petz, a expectativa de vida dos cães aumentou de forma significativa nas últimas décadas. Na década de 80, cachorros de pequeno porte tinham expectativa de vida de 9 anos. Hoje, em algumas raças, a expectativa de vida ultrapassa os 15 anos. Esse aumento de longevidade impulsiona a demanda por produtos para mobilidade, rampas, fraldas e suplementos, além de cuidados com a saúde.

  • Alimentação saudável ou personalizada: rações sob medida (DNA, idade, saúde), naturais e orgânicas ganham espaço.

  • Consciência ambiental: produtos biodegradáveis e recicláveis ganham tração entre tutores conscientes.


Case Petco


A Petco destaca-se por oferecer uma experiência completa de cuidado pet, integrando varejo especializado, serviços de saúde e bem-estar, grooming premium e soluções omnichannel, que colocam o pet e o tutor no centro da jornada. A empresa opera cerca de 1.500 lojas nos EUA, México e Porto Rico. Em 2024, a empresa registrou receita de aproximadamente US$ 6,1 bilhões.


Além de uma oferta completa de produtos, o portfólio de serviços da Petco conta com:


  • Banho e tosa profissional (grooming salon);

  • Estação self-service para banho de pets;

  • Cuidados veterinários completos, incluindo vacinas, consultas e cirurgias (Vetco);

  • Treinamento e adestramento positivo para cães;

  • Eventos de adoção de animais.;

  • Cozinha para refeições frescas e balanceadas para pets (parceria com JustFoodForDogs);

  • Programa de fidelidade Vital Care com assinaturas para saúde contínua.


Relatórios recentes indicam que serviços como grooming, veterinária e treinamento representam cerca de 17% da receita da Petco.


Case Petshop no Brasil: Grupo Petz Cobasi


O grupo Petz Cobasi apresenta-se como a maior plataforma de produtos e serviços para pets no Brasil, com mais de 500 lojas e receita bruta de R$ 7,7 bilhões.


De acordo com dados divulgados pelo grupo, a marca Petz destaca-se pela forte atuação nos segmentos de saúde e bem-estar animal, sendo a maior rede de centros veterinários do Brasil, por meio da marca Seres, além de contar com a maior rede de centros de estética pet do País. Complementarmente, a Petz mantém um portfólio relevante de marcas próprias e produtos exclusivos, estratégia que contribui para a diferenciação, fidelização e rentabilidade.


A companhia também lidera iniciativas de impacto positivo no setor, como o Adote Petz, considerado o maior programa nacional de adoção de cães e gatos.


Mercado pet como extensão da experiência de marca


Marcas de beleza e moda têm avançado sobre o universo pet como extensão de portfólio e de marca. O Boticário lançou a linha Au.Migos; a Dolce & Gabbana apresentou o perfume Fefé para pets; e a Reserva firmou parceria com a Petlove. Esses movimentos indicam leitura de oportunidade em um consumidor que inclui o pet em suas decisões de compra.


No setor de mobilidade, em 2023, a Uber lançou no Brasil a modalidade Uber Pet, voltada para o transporte de cães e gatos. O serviço começou como projeto-piloto em Curitiba e atualmente está presente em cerca de 50 cidades. Segundo Silvia Penna, diretora-geral da Uber no Brasil, a opção era uma demanda recorrente dos usuários: “Sabemos o quanto nosso animal de estimação é parte da nossa família e nem sempre é fácil levá-lo para alguns compromissos”.


No varejo de rua, observa-se a incorporação do tema na experiência física. Lojas como Riachuelo e Adidas, na Rua dos Pinheiros, passaram a incluir pontos de apoio para animais, como espaços com bebedouros. A adaptação sinaliza ajuste à presença crescente dos pets na rotina urbana e abre espaço para novas ativações e serviços.


Qual o pulo do gato?


O crescimento acelerado do varejo pet reflete mudanças como a humanização dos pets, famílias com menos ou sem filhos e maior gasto per capita, criando oportunidades para outros varejistas se adaptarem por meio de integração de serviços pet-friendly e da oferta de produtos complementares como:


  • Espaços pet-inclusivos: supermercados e shoppings podem criar áreas de espera para pets (com bebedouros), drive-thru pet e corredores de petiscos funcionais, estimulando o aumento do ticket médio dos tutores;

  • Produtos híbridos: moda, casa e decoração têm a oportunidade de lançar linhas pet-humanizadas, como roupas coordenadas pet+criança e móveis multifuncionais para famílias multiespécies;

  • Serviços omnichannel: farmácias, e-commerces, pet shops podem avaliar a possibilidade de oferta de telemedicina veterinária e de assinaturas personalizadas via IA, fidelizando tutores em um cenário de famílias menores e gastos concentrados em pets;

  • Turismo pet-friendly: hotéis, pousadas e destinos turísticos podem investir em hospedagem adaptada (caminhas, cardápios pet), trilhas e praias exclusivas, atendendo a milhões de famílias com pets.


Há um movimento claro e uma oportunidade relevante. Dito isso, o pulo do gato pode estar no óbvio: adaptar portfólio, experiência e comunicação para incluir os pets, já vistos como membros da família, na proposta de valor do seu negócio.


Por: Marcela Andrade

Marcela Andrade é gerente de projetos da Gouvêa Consulting.

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