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Oxxo chega ao litoral paulista e quer abrir 50 lojas em 12 meses


Rede de mercados de proximidade abre duas lojas em Santos e uma em Praia Grande; até dezembro serão inaugurados mais dois pontos de venda em São Vicente e Guarujá


Depois de abrir lojas em ritmo frenético na capital paulista, na Grande São Paulo e em algumas cidades do interior do Estado, a Oxxo, rede de mercados de proximidade, quer “invadir” a praia dos paulistas.


A chegada ao litoral Sul começa esta semana com a inauguração de três lojas. Duas em Santos, na sexta-feira, 27, nos bairros Gonzaga e Boqueirão, e uma na orla de Praia Grande, no sábado, 28. Até o final do ano, está prevista a estreia em mais duas cidades litorâneas: Guarujá, com uma unidade no centro, e em São Vicente, no bairro de Itararé.


“Entre outubro deste ano e setembro do ano que vem, planejamos abrir 50 lojas no litoral, distribuídas nesses quatro municípios”, afirmou ao Estadão David Pestana, diretor Geral de Expansão do Grupo Nós no Brasil. Ele não revela as cifras investidas.


O Grupo Nós é uma joint venture entre a Raízen, licenciada da marca Shell, e a Femsa, multinacional mexicana líder no segmento de lojas de conveniência e de proximidade na América Latina. Ele é dono das bandeiras Select, de lojas de conveniência em postos de gasolina Shell, e da Oxxo, de supermercados de proximidade.


Com faturamento de R$ 1,638 bilhão em 2022 e 1.426 lojas no País nas duas bandeiras (Select e Oxxo), o Grupo Nós ocupa 121º lugar no ranking das 300 maiores varejistas em vendas da Sociedade Brasileira de Varejo e Consumo (SBVC).


No mundo, só a bandeira Oxxo já soma mais de 21 mil lojas, todas próprias, espalhadas pelo México, Peru, Colômbia, Chile, Europa e Brasil. No País, a rede Oxxo chegou em dezembro de 2020, em meio à pandemia, quando abriu a primeira loja em Campinas (SP).


De lá para cá tem chamado atenção pelo ritmo acelerado de expansão. Nos últimos 12 meses até junho, foram inauguradas, em média, uma loja a cada dois dias. Atualmente são mais de 350 lojas em funcionamento em 11 cidades no Estado de São Paulo. Destas, 60 só em Campinas, onde estreou no País com 17 lojas.


A expansão para o litoral equivale ao movimento feito em Campinas, compara o executivo. “Representa uma pequena fração do mercado de alimentos do litoral, mas para nós é um grande movimento.”


O litoral entrou na rota da varejista, segundo o executivo, porque tem perfil de mercado consumidor que se encaixa às lojas de proximidade. Santos, por exemplo, é uma cidade com uma economia “interessante” ligada ao porto. Além disso, tem muitos prédios, um grande adensamento populacional e circulação de pedestres que têm o hábito de comprar nos bairros. “É o casamento perfeito”, diz.


Apesar de o litoral ter vida própria, o executivo acredita que a estreia em outubro, perto do início da temporada de verão, deve impulsionar o mercado. Isso porque a maioria dos turistas do litoral é da capital e já conhecem a marca.


Modelo de negócio


A estratégia de fincar bandeira numa região com a abertura de um grande número de lojas, na maioria das vezes muito próximas uma das outras, é um do pilares do modelo de negócio de loja de proximidade.


A grande concentração dos pontos de venda, às vezes com várias lojas numa mesma rua, não é algo circunstancial. Isso permite cortar custos de distribuição das mercadorias, que saem de um único Centro de Distribuição, com 14 mil metros quadrados em Cajamar (SP), e viabiliza economicamente o negócio. “Preciso ter um custo de distribuição bastante competitivo: temos lanchonete, padaria e um mini mercado em 100 metros quadrados com 1.500 itens, é um três em um.”


Atualmente, só na rua da Consolação, na capital paulista, por exemplo, há cinco lojas da Oxxo. Pestana diz que não há risco de uma loja “roubar” a clientela de outra, porque elas estão preparadas com mix de produtos e serviços muito específicos para atender o público local. “Investimos muito em ciência de dados”, conta o executivo, ressaltando que todas as aberturas de lojas estão pautadas pelo cruzamento de um grande número de informações.


Desde que a empresa chegou ao País, apenas uma loja fechou as portas. O ponto de venda ficava em Campinas (SP), na avenida Mirandópolis. Na prática, a loja foi fechada, mas reaberta do outro lado da mesma avenida. O motivo foi que o imóvel escolhido não tinha vaga de estacionamento e o consumidor local tem o hábito de ir às compras de carro.


Aliás, no sentido de ter a loja mais adequada ao perfil do consumidor local, nas unidades de Santos, por exemplo, serão ofertados mais itens refrigerados, mesas e cadeiras na lanchonete.


Perspectivas


Há quase três anos no Brasil, a varejista não revela quanto já investiu nem o seu desempenho no País. O executivo limita-se a dizer que os resultados “estão alinhados com as expectativas”. Tanto é que a rede está indo para o litoral.


Pestana diz que a perspectiva é crescer em um ritmo ainda maior. Ele pondera que, no passado recente, houve um boom dos atacarejos e que ainda continua. Na sua avaliação, há hoje uma polarização no varejo de alimentos entre os modelos de atacarejo e de mercado de proximidade. “E a loja de proximidade é a bola da vez.”


Isso sustenta a aceleração da expansão da companhia. No entanto, por ora, o plano não contempla um avanço para fora do Estado de São Paulo. “Tem muito espaço para crescer no Estado de São Paulo e na cidade de São Paulo, temos uma fração pequena nas praças onde estamos.”


O consultor da Mixxer Desenvolvimento Empresarial, Eugênio Foganholo, observa que a demanda para compras em lojas de proximidade já existe e é muito pulverizada entre padarias, lanchonetes e mercadinhos independentes de bairro. “É com esses estabelecimentos que a Oxxo concorre.”


Por ter uma bandeira forte e já conhecida na capital, Foganholo concorda com Pestana e acredita que a rede acabará ganhando a preferência dos turistas do litoral em relação ao comércio local.


Mas um dos pontos críticos apontados pelo consultor é em relação a abertura de lojas no Guarujá. Ele observa que a cidade é muito voltada para o turismo. Por isso, há riscos de que a demanda não se sustente fora da sazonalidade das férias. “A única questão é como sobreviver nessa praça fora dos meses de dezembro, janeiro, fevereiro e julho.”


Por: Márcia de Chiara

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