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Por que o metro quadrado virou o ativo mais estratégico do varejo?

  • Central do Varejo
  • 22 de mar.
  • 2 min de leitura

Ainda existe no mercado uma leitura limitada sobre o papel da loja física no varejo. Em muitos planejamentos, o metro quadrado continua sendo tratado como centro de custo, associado a aluguel, equipe e estoque. Essa visão ignora um fato objetivo: poucos ativos concentram, ao mesmo tempo, fluxo constante de pessoas, contexto de consumo e intenção real de compra. O ponto de venda reúne essas três variáveis todos os dias.


Esse dado, por si só, já deveria mudar a forma como o varejo enxerga seus próprios espaços. Ainda assim, a discussão frequentemente permanece restrita à eficiência operacional.


Quando estruturado com tecnologia, padronização e inteligência de dados, o ambiente físico deixa de ser apenas operação e passa a funcionar como plataforma. E plataformas organizam atenção. Atenção estruturada se transforma em audiência. Audiência mensurável abre novas frentes de receita. O metro quadrado deixa de ser somente despesa fixa e passa a operar como um ativo estratégico.


Ao mesmo tempo, a experiência de compra no varejo deixou de acontecer em um único canal. Um estudo da Wake em parceria com a Opinion Box mostra que 78,9% dos consumidores alternam entre lojas físicas, e-commerce, aplicativos e redes sociais em busca de praticidade e melhores preços. Apenas 11,7% afirmam comprar exclusivamente em lojas físicas, enquanto 9,4% preferem o online. O dado mostra que a jornada se tornou híbrida. O consumidor pesquisa, compara e circula entre ambientes diferentes antes de tomar uma decisão.


Ainda assim, em muitas categorias, é dentro da loja que a escolha final acontece. E é justamente esse ambiente que parte do varejo ainda insiste em tratar apenas sob a lógica de custo, ignorando seu papel estratégico dentro dessa jornada.


Nunca se produziu tanta informação sobre comportamento de consumo. O varejo trabalha com painéis em tempo real, mapas de circulação, segmentações avançadas e modelos preditivos cada vez mais sofisticados. O problema não é falta de dados. O problema é aplicação estratégica.


Grande parte dessa inteligência permanece nos relatórios e não chega ao ambiente onde a decisão acontece. O consumidor é impactado online, recebe estímulos personalizados e navega por ofertas direcionadas, mas ao entrar na loja muitas vezes encontra mensagens genéricas, desconectadas do contexto que o levou até ali. Esse descompasso não é apenas conceitual. Ele representa ineficiência comercial.


A jornada de compra atravessa múltiplos canais e raramente segue um caminho linear. Ainda assim, muitas operações tratam o espaço físico como ambiente isolado, desconectado da inteligência construída fora dele. Quando o dado não chega ao ponto de venda, ele perde sua principal função: orientar decisão e aumentar conversão.


Integrar digital e presencial não é uma tendência estética nem apenas um discurso de inovação. Trata-se de coordenação estratégica e eficiência operacional aplicada ao momento de maior impacto econômico da jornada.


Nos próximos anos, a diferença entre varejistas não estará apenas em preço ou sortimento, mas na capacidade de estruturar cada metro quadrado como um sistema inteligente, mensurável e escalável. O espaço físico não está perdendo relevância. Ele está sendo reavaliado e, em muitos casos, ainda subaproveitado.


O metro quadrado nunca foi apenas espaço. A questão agora é quem está organizando esse ativo como infraestrutura estratégica e quem ainda o administra apenas como despesa fixa.


Por: Richard Albanesi, CEO da THE LED

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